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Bom, fazia um tempo que não escrevia nada, mas quero falar disto há algum tempo. Sei que quase ninguém vai ler mesmo, mas o objetivo é manter escrito o que EU penso sobre assuntos do cotidiano que me dão vontade de colocar alguma coisa para até mesmo, para em alguns anos, ver o que eu pensava em meu passado recente.
Se alguém estiver lendo, não perca tanto tempo. O @jaimeguimaraess escreveu sobre o mesmo tema recentemente e provavelmente não conseguirei fazer nada minimamente tão bom. Mas c'est la vie, BEBÊ!
Depois de tanta divagação inútil, como de costume (pareço o Abe Simpson e suas histórias com digressões intermináveis) vamos ao tema de hoje: o recente culto a "postura politicamente incorreta", as discussões sobre os limites do humor.
Já pensava desta forma há algum tempo, mas obviamente o texto vai muito na onda da suspensão do comediante de stand-up Rafinha Bastos da apresentação do programa CQC da Rede Bandeirantes, o maior hype entre os jovens pseudo-intelectuais, que são mentes brilhantes preocupadas com o país, ao contrário dos jovens bobos e pobres que assistem o Pânico! Confesso que quando o programa começou a ser transmitido achei excelente e extremamente audacioso, mas nunca passou de entretenimento, nunca entrei nesta vibe de que por ver um programa de televisão eu me tornaria uma pessoa mais ativa politicamente. Passado algum tempo eu tomei por decisão pessoal NÃO MAIS assistir o CQC. Não corroboro com as posições politicas do programa, que são apenas "Custe o que custar" em relação a determinados grupos políticos, aos outros, são dóceis como uma seda.
E como ponto crucial para eu deixar de ver o programa poderia citar a matéria exibida no "Documento CQC" que relatou a greve na USP e o fez com o intuito de transformar os alunos que com consciência apoiavam as reivindicações de funcionários e professores em vagabundos que não queriam estudar e os outros alunos em sujeitos preocupados com sua formação e que não queriam saber destas baboseiras. Não poderia ser mais facistóide.
Também não poderia deixar de citar um segundo ponto: a ameaça de processo criminal de Marcelo Tas a uma professora que defende direitos feministas. Olha, eu li o blog da mulher e ela é bem extremada e ao meu ver, presta um desserviço ao próprio movimento feminista, também não achei a piada do Marcelo Tas que ela acusou de ser misógina tudo isto, mas não é este o ponto. Um cara que vive o tempo inteiro gritando contra censura, faz disto uma bandeira de vida, AMEAÇAR DE PROCESSAR uma mulher simplesmente por ter considerado uma piada que ele fez misógina? Ah, tem dó! Considero Marcelo Tas um sujeitinho asqueroso no mesmo patamar da revista Veja.
Depois deste longo parenteses, vamos ao fato que importa no texto: o humor. O programa sempre teve um viés ácido, com algumas piadas que por certo poderiam ser consideradas de "mau gosto", mas isto não vem ao caso. Piada de "mau gosto", "humor negro", "humor ácido" é algo que faz piada com uma situação que às vezes, pode ser trágica, cruel, mas ainda assim, dada a justaposição, pode ser engraçada. O humorista americano de origem irlandesa George Carlin era mestre em fazer isto, sempre cruel, sempre pegando pesado, mas ainda assim....engraçado.
Diversos humoristas deste novo humor brasileiro tem proclamado que o limite do humor é a risada, pois bem, em que pese eu não concordar totalmente com esta linha de raciocínio adotemos a mesma apenas para atacar o cerne da questão, o quão o que disse Rafinha Bastos sobre a cantora (sic) Wanessa não foi uma piada. Para pegar um outro exemplo extremo, o que disse Danilo Gentili sobre o metrô e os judeus de Higienópolis foi uma piada de mau gosto, mas ainda assim, em um certo aspecto, engraçada. Ainda que humilhe um povo e reabra feridas que marcaram gerações, mas ainda assim, mesmo sendo cruel e ácido, foi uma piada.
Agora, dizer ao ver uma mulher grávida que "comeria ela e o bebê" não é uma piada de mau gosto. Simplesmente NÃO É UMA PIADA! Fazer isto, em rede de televisão é simplesmente uma ofensa gratuita e tosca que simplesmente não tem absolutamente nada de engraçado, é tosco, mal feito e baixo. Sério, em que universo conhecido isto pode ser engraçado?
Agora ele sofre duras reprimendas por ter falado tal coisa, e nem foi pela moça. As reprimendas vieram por causa do desconforto e justa indignação do marido da cantora (sic) Wanessa, que conhece as pessoas certas e ao menos por enquanto, o defenestrou do programa (o que não deve durar). Daí começam a bradar pela volta do humorista: OH, TANTA COISA PIOR E NINGUÉM FALA, OH CONTRA O SARNEY NINGUÉM SE INDIGNA, OH MIMIMI, EU SOU COMO O RAFINHA, POLITIZADO E INTELIGENTE E NÃO SOU POLITICAMENTE CORRETO, MIMIMI. Isto tudo é uma imensa baboseira. TV é um meio de comunicação em massa, para as massas. Vive de anunciantes, de patrocínios. Comentei no caso do Gentili que se a minha empresa patrocinasse/anunciasse na Bandeirantes e tivesse em sua maioria clientes judeus, eu ligaria para o Diretor Responsável e no mesmo momento exigiria uma retratação, quiçá uma punição ao comediante. É assim que a banda toca no mundo real, caso não queiram assim, voltem aos teatros, lá existe mais liberdade!
E o pior desta onda de culto ao "politicamente incorreto" é o quanto isto virou um escudo para disseminar os pensamentos mais odiosos e preconceituosos possíveis. As pessoas tem se utilizado desta alcunha para ter passe livre para fazer qualquer tipo de ofensa e mascarar o ódio que possui por minorias raciais, sexuais e sociais. Usam deste discurso de forma tosca e banal, para se passarem por sujeitos que dizem o que pensam, que são contestadores.
Olha, se você fala tudo o que pensa, me desculpe, mas você é um IDIOTA. A vida em sociedade preconiza tolerância e convivência social, não sair falando o que bem entender a torto e direito. Se você quer falar e fazer tudo que pensa se retire do convívio social, porque uma sociedade democrática de direito não pode ser conveniente com a disseminação do ódio.
Não sou nenhum patrulheiro do politicamente correto. Achei um absurdo o processo instaurado por suposta prática de homofobia por parte do apresentador Ratinho que disse que tal coisa era "uma viadagem", ou ainda o que moveram em face de Marcos Mion por dizer que Nany People "tinha uma surpresinha". Este tipo de processo, de ação para ganhar holofotes ao meu ver presta um desserviço as próprias instituições que defendem as causas dos homossexuais., porque banaliza e torna rasa uma discussão que envolve questões tão importantes e relevantes.
Em conclusão, acho que o equilíbrio sempre deve ser buscado. E que usem o tal limite da risada, que não foi respeitado pelo Rafinha Bastos, uma vez que não disse uma coisa engraçada, o que pressuponho, é a função de um comediante.

Marco Antônio, primeiro obrigado pela referência! :)
ResponderExcluirBom, se me permite, vou copiar e colar um breve comentário que eu fiz no Facebook sobre essa polêmica toda:
"Isso é perigoso: pode abrir precedentes a "famosos" e políticos que sentirem-se ofendidos com esquetes de humor ( mesmo ruins) que rolam por aí. Evidente que a "piada" do Rafinha Bastos foi péssima e o CQC precisava mesmo rever posturas - o ego daquele pessoal foi às alturas -, mas já li coisa bem mais pesada do Angeli ( os Skrotinhos e cia) e não houve essa gritaria toda. Eu até acho que esse pessoal - Rafinha e Danilo Gentili - tem talento pro humor e comédia, vão errar e acertar muito ainda. Mas falta a eles - e a alguns comediantes - a leveza para fazer rir..."
Não estou defendendo o Rafinha Bastos neste caso detestável, mas também não concordo com tentativas de censura - eu acho que esse fato pode abrir um precedente perigoso, apesar de que os anunciantes e patrocinadores é quem mandam, na verdade ( e aquele papinho de "quem manda é você, telespectador?" hahaha). Eu acho que ele deveria estar na bancada, dando a cara a tapa, constrangido (?) e pedindo desculpas pelo comentário infeliz. Não foi piada e ele sabe muito bem disso. Acho que o afastamento apenas deu mais visibilidade ao sujeito e provocou protestos "dos fãs". Mas como é o patrão quem manda...
O grande problema dessa turma do CQC é que o ego subiu à cabeça rapidamente. No começo o programa era bom - talvez pelo caráter de novidade na TV brasileira. Depois o ego apareceu e subiu ao topo do Empire State. Marcelo Tas - que é um excelente comunicador - foi alçado ao posto de "guru" ou "intelectual" via twitter (!) e por uma galera carente de referenciais em uma sociedade que preza o descarte rapidamente. Eu acompanhei este episódio com a blogueira feminista ( um parêntese: extremamente radical, a moça - que nem é tão moça assim. È daquelas que passam horas discutindo uma palavra, uma vírgula na internet com longos e entediantes posts e comentários. E ela quis encontrar "injustiça" nos SMURFS! Sabe aquele pessoal anos 70 que tinha "Para ler o Pato Donald" de Matellart como uma espécie de Bíblia? Ah, qualé...
Deixe-me falar um pouco sobre essa onda "politicamente correta"(primeiro) que tem tomado conta das redes sociais. O que vemos, na verdade, é uma hipocrisia muito grande: pessoas que pregam uma coisa nas redes sociais e fora dela fazem o contrário. É aquele que adota um discurso "politizado" contra a corrupção e na primeira blitze de trânsito tenta oferecer um "cafezinho" pro agente, é aquele que diz ser contra o preconceito mas diz que bolsa-família só sustenta "vagabundo que não quer trabalhar" e tantos outros exemplos. Em muitos casos o "politicamente correto" gosta também de ser um ativista on-line, mas um "slacktivist" e nada mais: sujeito que apenas "curte" e dá "RT" e fica por isso aí mesmo. Só faltou um adesivo "eu faço a diferença com RT e curtir" no carro. De outro lado a onda dos "politicamente incorretos" que acham que podem falar DE TUDO sobre TODOS os assuntos e sempre de forma sarcástica - olha o sarcasmo aí. Não é à toa que uma bobagem como "História politicamente incorreta do Brasil", do ex-jornalista da VEJA e SUPER, Leandro Narloch, vendeu e vende como água no sertão. E ainda sobre essa "gente de atitude" que "detona" nas redes sociais: os casos de demissão e advertências nas empresas são comuns. É gente "de atitude" que xinga o patrão, fala da empresa dentro de uma rede social! Vai, espertão!
ResponderExcluirAtrevo-me a dizer que Mark Twain, Samuel Johnson e Ambrose Bierce seriam execrados hoje nas redes sociais pela turminha do politicamente correto - que ainda vai matar o humor, como disse o "pai" do Garfield. Esses caras eram o que se chama hoje de "politicamente incorretos", mas com conteúdo e argumentação inteligente. Procure por "Dicionário do Diabo", de Bierce, e veja o que é sarcasmo de verdade...pra deixar até o capeta corado rs E o pior: não tem como discordar de um monte de coisa ali rs
E quanto ao humor, fico com aquilo que eu já escrevi: prefiro a leveza e a criatividade! :)
Abraço!
Concordo com tudo, Jaime. Achei a suspensão em si meio exagerada também, mas não adianta é assim que o mundo funciona, e olha, se eu fosse o empresário, pensaria da mesma forma!
ResponderExcluirDe resto, pessoas como a dona do tal blog como eu disse, só prejudicam a própria causa, pois torna um assunto sério irrelevante ao destacar bobagens e inutilidades.
E sobre a piada, enfim, para mim não foi uma piada ruim, NÃO FOI UMA PIADA, foi um simples ataque de estrelismo difamatório e agressivo, de quem acha que pode falar tudo e nada lhe vai acontecer.
Muito obrigado pelo comentário, acabou bem mais rico que o texto.
Abraços ;)